23/12/2004

Um Dia . . . Aprendes!



Depois de algum tempo aprendes a diferença, a súbtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair no meio do vão. Depois de um tempo aprendes que o sol queima se ficar exposto muito tempo. E aprendes que não importa o quanto te importas, algumas pessoas simplesmente não se importam.. e aceitas que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai magoar-te e tu tens de perdoá-la por isso!
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que Tu podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida. Aprendes que as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distancias. Aprendes que o que importa não é o que tens na vida, mas o que TU és na vida! E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprendes que não tens que mudar de amigos se compreenderes que os amigos mudam, percebes que o teu amigo e TU podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobres que as pessoas com que mais te importas na vida são tomadas de ti muito depressa, por isso devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a ultima vez que a vemos. Aprendes que as circunstancias e os ambientes têm influência sobre nós próprios. Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que tu mesmo podes ser. Descobres que levas muito tempo a tornares-te na pessoa que queres e que o tempo é curto. Aprendes que não importa onde já chegaste, mas onde vais, mas se tu controlas os teus actos ou eles te controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprendes que heróis são aqueles que sempre fizeram o que era necessário fazer, enfrentado as consequências. Aprendes que paciência requer muita prática. Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te calque quando cais é umas das poucas que te ajudam a levantar.
Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e que aprendeste com elas do que com quantos aniversários celebraste. Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são tolices, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprendes que quando estas com raiva tens o direito de estar, mas isso não te dá o direito de seres cruel!
Descobres que só porque alguém te ama da maneira que queres que te ame, não significa que essa pessoa não te ame, pois existem pessoas que nos amam, mas não sabem como demonstrar isso. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém.. algumas vezes tens de aprender a perdoar-te a ti mesmo! Aprendes com a mesma severidade com que julgas, serás em algum momento condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o concertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores.
E aprendes que realmente podes suportar.. que realmente és forte! E que podes ir muito mais longe depois de pensares que não podes mais.. e que realmente a nossa vida tem valor e que tu tens valor diante da vida! As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.
A foto acima foi tirada por mim, num final de tarde no algarve ha uns tempos, achei muito bonita e revejo o texto nela, descobre porquê : )
hoje acordei bem disposto, ha' aqueles dias que acordas e te sentes bem com a vida.. acordei e fiquei a pensar! Na cama, um bocado.. que já não tinha tempo para o fazer há alguns dias, mas hoje é o meu 1º dia de férias e como ontem tive uma tarde espectacular.. meti-me a pensar na vida e (baseado no Grande Shakespeare,porque penso exactamente da mesma maneira em muitas coisas) saiu isto! Gabo-te a paciência a ti que leste tudo até aqui!



Aproveito também pra desejar-te desde já um Bom natal, não o natal-consumista que esse eu odeio, mas o espírito que vives com a tua Família, pena que pra muitos seja só uma vez por ano que se lembrem uns dos outros.. mas pronto! E um Feliz 2005 também pra ti que costumas comentar, pra ti que até cá vens ler de vez em quando mas nunca comentas, e até pra ti . . .

13/12/2004

O Lado Positivo do . . . Sermão Paternal


" Erros, Qualquer um os faz . . . "
Esta, é, sem qualquer dúvida, a desculpa mais frequentemente utilizada por quem comete um erro. Negam a intencionalidade, contudo assumem a irresponsabilidade e imploram por perdão, como se bastasse para sarar a ferida entretanto aberta. Se lhes fosse concedida a oportunidade de voltar atrás no tempo, provavelmente não o teriam feito..provavelmente teriam.. quem sabe ?
Errei... magoei os que me amam, os que me criaram, os que me chamam de filho. Tinha plena consciência dos meus actos e das consequências que estes me poderiam oferecer, no entanto não fui capaz, ou simplesmente não o quis evitar, e lancei uma bola de neve para o inferno para ver que chances tinha ela de sobreviver . . .
Nenhumas!
O "Sermão Paternal" não se fez esperar, e acabei sentado no banco de um carro a ouvir aquilo que já sabia: que me comportara como um irresponsável, que desiludira os que esperavam o melhor de mim, que nao merecera muito do que hoje tenho.. Verdades, é certo..! Porém, nada do que estava a ouvir me era desconhecido. EU sabia o que tinha feito, EU sabia o que me iria acontecer, EU sabia os riscos que estava a correr, EU tinha que lidar com a situação, corrigir o erro e voltar a ganhar a confiança deles. Contudo, um pequeno pormenor foi esquecido: nada custa mais a ouvir do que a voz da nossa própria consciência a culpar-nos de algo. Ali sentado, não era a eles que eu prestava atenção, mas sim á voz que ecoava cá dentro, a voz que me dissera anteriormente tudo o que estava a escutar naquele momento.. a voz que eu ignorara..!
A tempestade acalmou . . .
Hoje olho para trás e não me arrependo de o ter feito. Independentemente do que tenha sido este erro, aprendi que o lado positivo de um sermão paternal não é perceber onde falhámos... é ver que apesar de tudo a nossa consciência estava certa e nela reside uma amiga em que nos podemos guiar para tudo o que a vida tiver para nos oferecer . . .

01/12/2004

A nossa infância

Resolvi escrever isto após ter lido uma notícia, Verídica, que me deixou perplexo pela negativa, no Diário de Notícias há uns dias.. a notícia foi:


“Um rapaz de 11 anos que vive em Hong Kong processou a própria mãe por ela não ter lhe comprado um computador. A mãe da criança disse que lhe daria a máquina, caso ele tirasse mais de 94% de aproveitamento na escola. Apesar de conseguir 97% no boletim, a promessa não foi cumprida por ''falta de dinheiro'', alegou a mulher. Em resposta, o garoto processou a própria mãe. Segundo o The Register, o juiz responsável pelo caso conseguiu a reconciliação das partes durante a audiência.”

Vendo bem as coisas, é difícil acreditar que estejamos vivos hoje! Quando éramos pequenos, viajávamos de carro (aqueles que tinham a sorte de ter um..) sem cintos de segurança, sem ABS e sem air-bag! Os frascos de remédios ou as garrafas de refrigerantes não tinham nenhum tipo e tampinha especial... que vinham embaladas sem instruções de uso... Bebíamos da torneira e nem se conhecia água engarrafada! Que horror! Andávamos de bicicleta sem usar nenhum tipo de protecção e passávamos as tardes a jogar à bola, ao berlinde ou a construir carrinhos de rolamentos. Atirávamo-nos ladeira abaixo e esquecíamo-nos que não tínhamos travões até que uma qualquer calçada ou árvore nos deparasse no trajecto... Depois de muitos acidentes de percurso, aprendíamos a resolver o problema... Sozinhos!! Nas férias, saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, os nossos pais às vezes não sabiam exactamente onde estávamos, mas sabiam que não estávamos em perigo. Não existiam telemóveis! Incrível! Eu por exemplo só tive o 1º telemóvel com 16 anos, quando hoje a minha prima com 7 anos já tem um.. e acha que o teve tarde!


Quantas nódoas negras, braços partidos, dentes arrancados com o embate de quedas... Lembram-se destes incidentes? Janelas quebradas, jardins destruí­dos, as bolas que caíam no terreno do vizinho e depois era estar meia hora a chatear o gajo que a tinha mandado para lá, para a ir buscar porque todos queriam continuar o jogo e estávamos a perder tempo... Havia brigas e, às vezes, muitos olhos negros. E mesmo feridos e chorosos tudo passava depressa, na maioria das vezes, nem mesmo os nossos pais descobriam as merdas que se passavam... Comíamos doces, pão com muita manteiga... E ninguém era obeso... No máximo, era-se um gordinho saudável... hoje em dia todos os putos querem é BigMacs e merdas do género..
Dividia-se uma garrafa de sumo, refrigerante ou então uma cerveja às escondidas (sim porque no “meu tempo” qualquer adulto que visse miúdos de 12 ou 13 anos a beber cerveja desatavam a barafustar), entre três ou quatro amigos e ninguém morreu por causa de doenças infecciosas!

Não existia a Playstation, nem a Nintendo... Não havia TV por cabo, nem internet... e vídeo e computador eram raros os que tinham! Tínhamos, simplesmente, amigos! Andava-se de bicicleta ou a pé. Íamos a casa de amigos, tocávamos a campainha, entrávamos e conversávamos... Sozinhos, num mundo frio e cruel! Sem nenhum controle! Como sobrevivemos? Inventávamos jogos... com pedras, feijões ou cartas... Brincávamos com “pequenos monstros”: Lesmas, caramujos, e outros animaizinhos.. ainda me lembro de fazer Casulos com bichinhos da seda em casa : ) mesmo se nossos pais nos dissessem para não fazermos isso! Alguns estudantes não eram tão inteligentes como os outros e tiveram que refazer parte do Liceu. Que horror! Não se mudavam as notas e ninguém passava de ano, mesmo não passando... Os professores eram insuportáveis! Não davam abébias... Os maiores problemas na escola eram: chegar atrasado, mastigar pastilhas na aula ou mandar bilhetes a gozar com a professora. Correr demais no recreio ou faltar às aulas só para ficar a jogar à bola no campo... As nossas iniciativas eram "nossas", mas as consequências também! Ninguém se escondia atrás do outro... os nossos pais estavam sempre do lado da Lei quando transgredíamos as regras, e normalmente NUNCA do nosso lado! Se nos portávamos mal, os nossos pais colocavam-nos de castigo e incrivelmente, nenhum deles foi preso por isso! Sabíamos que quando os pais diziam "NÃO", era "NÃO". Recebíamos brinquedos no Natal ou no aniversário e não de todas as vezes que íamos ao supermercado... Os nossos pais davam-nos presentes por amor, nunca por culpa... Por incrível que pareça, as nossas vidas não se arruinaram por não ganharmos tudo o que gostaríamos, que queríamos.... Esta geração produziu muitos inventores, artistas, amantes do risco e óptimos "inventores" de soluções. Nos últimos 30 anos, houve uma desmedida explosão de inovações e tendências... Tínhamos liberdade, sucessos, algumas vezes problemas e desilusões, mas tínhamos muitas responsabilidades... E não é que aprendemos a resolver tudo?... e sozinhos... Eu às vezes penso, que merda de infância têm estas crianças de hoje em dia ?! Será que são tão felizes como nós (da minha geração) fomos ?? Eu acho que não . . . mas se calhar estou errado, e espero bem que sim..Se TU és um destes sobreviventes do tempo do.. “REBENTA A BOLHA” quando algo corria mal quando estávamos a jogar à apanhada ou às escondidas, enfim.. dos que nasceram antes de 1985... PARABÉNS !!